Por: Laiana Kawari
-“Onde está? Calma!... Calma!... Droga! Onde..”
Saí levantando almofadas e roupas...
- encontrei - atendi.
-“Alô”
-“O..O..Oi!...Q...Quem fala?”
-“Michelli”
- “Você é...desculpa..você é....”
- “Sou sim...” - Já estava puta da vida, no mínimo alguma esposa achou o meu número no celular do marido.
- “Você faz strip?” - Perguntou rapidamente.
Percebi que podia ser cliente, mudei o tom.
-“Faço...”
- “É que vamos fazer uma despedida de solteira e queríamos um showzinho, sabe?”
-“Tudo bem já fiz várias despedidas de solteiro. Sem problema.” - Falei calmamente
- “Não! Acho que não entendeu. É, é de solteira. Temos duas amigas que vão se casar e queríamos fazer uma surpresa a elas...”
- “Tudo bem moça, pra mim não tem problema.” - Respondi achando engraçado o desconcerto dela.
- “Certo e... e quanto você cobra?”
- “Depende, é só o show?”
- “Sim, só se por acaso alguém quiser, sei lá! Alguém quiser algo mais, daí é outra história..”
- “Tudo bem o show é R$500,00” - Falei sem constrangimento.
- “Tudo bem. Vou falar com o pessoal e volto a te ligar. Daí nós combinamos! Obrigada.”
- “ok... tchau.”
Voltei a dormir. Acordei 4 horas depois, olhei o relógio e vi que tinha perdido a primeira aula da tarde. Levantei, tomei um banho, almocei e fui pra universidade. No caminho encontrei Suzana, colega de aula e dei carona a ela.
- “Oi Melissa que bom que parou, estava atrasada.” - Ela disse entrando no carro.
- “Eu também...” - Respondi
- “Você saiu cedo da festa ontem?”
- “É, tinha outra festa pra ir e, sabe como é aniversário de um amigo, não podia faltar.” – Menti! Suzana não sabia das minhas atividades profissionais.
Na quinta feira no mesmo horário nove horas o celular toca. E de novo eu não acho. Procuro, derrubo algumas coisas e encontro.
- “Alô”
- “É, é Michelli?”
- ‘Sim” - Já sabia quem era.
- “Olha! A festa, aquela despedida de solteira lembra? É amanhã à noite, você pode?”
- “Posso”.
- “Posso, que horas e qual é o endereço?” - Fui bem objetiva
- “Pensamos em você chegar próximo as dez. Anota o endereço”
- “Certo” - Abri o bloco, peguei a caneta e anotei o endereço que ela me passou.
- “Meu nome é Bianca, você chega e procura por mim, certo?”.
- “Ok! Vocês estão com algo em mente? Alguma roupa especial?” – Perguntei e ela riu.
- “Seja criativa! tchau” - Desligou.
Cheguei próximo as dez. Uma casa enorme e muito bonita, percorri uma estrada que era circundada por jardins e árvores esplendorosas que escondiam a fachada da mansão...estacionei e subi as escadas que dava acesso a entrada principal...a porta estava aberta e muitas pessoas circulavam por uma enorme sala. Fui recebida por um jovem de terno e gravata. Quando me viu sorriu.
- “Boa noite! Sou Michelli, a Bianca está?” – Perguntei.
- “Claro. Acompanhe-me.” - Fui atrás dele, passamos por diversas pessoas, casais, homens, mulheres, todos muito bem vestidos. Percebi os olhares em minha direção.
Entramos em outra sala onde estavam poucas pessoas, quatro mulheres conversando próximo a uma janela e outras duas sentadas em um sofá. Muito próximas uma da outra.
- “Dona Bianca, por favor.” - Ele chamou uma das quatro mulheres que se virou em nossa direção.
- “Chegou!” - Ela disse para as outras
- “Olá Michelli, estou curiosa para saber o que tem embaixo deste casaco” - Falou e riu.
- “Surpresa” - Respondi sorrindo.
Ela chamou as outras que vieram em nossa direção com empolgação.
- “Vamos subir juntas elas estão lá em cima..”.
Saímos da sala, passamos pelas pessoas novamente e subimos uma grande escadaria que circulava todo o salão. Entramos em um grande corredor. Passamos por diversas portas e paramos em frente a uma no final deste corredor.
Bianca me olhou e disse.
- “As duas estão aí dentro é o quarto de Renata, dona desta casa, estão se arrumando para descer”. Hoje elas estão oficializando a união para todos só que antes queríamos fazer essa surpresa para elas. Você espera aqui, eu te chamo.
- “Tudo bem, mas quando me chamar, por favor, coloque este CD.” - Tirei do bolso do casaco um CD e entreguei a ela. E entraram todas juntas, fiquei esperando.
Aproveitei para tirar o casaco e arrumar a roupa. Estava com uma roupa de odalisca. Com muitos véus escondendo meu corpo, tirei a sandália fiquei descalça e coloquei um véu cobrindo o rosto deixando apenas os olhos aparecendo.
“A porta se abriu e percebi o olhar de Bianca que me olhou dos pés a cabeça”. – “Pode fechar a boca” – pensei - Deu-me passagem, ouvi a música.
A primeira pessoa que enxerguei me fez perder a concentração naquilo que iria fazer: olhos azuis profundos me analisaram inteira, ela estava próxima à janela com um copo na mão. Não se moveu apenas me olhava séria. - “O que ela está fazendo? Que mulher é essa?” - Tentei prestar atenção na música e comecei a me mover. O ritmo da música árabe invadiu o ambiente e aos poucos me aproximei das duas que estavam sentadas na cama.
Uma no colo da outra, riam e se olhavam enquanto as outras falavam palavras de incentivo e batiam palmas acompanhando a música. Lentamente, fui me livrando dos véus que cobriam meu corpo, procurava não olhar para aquela mulher, mas seus olhos me puxavam: Alta, cabelos negros e lisos, contrastando com os olhos de um azul maravilhoso, o rosto bem desenhado. De repente me vi dançando pra ela que não tirava os olhos de meu corpo, fui me desfazendo dos véus no ritmo da música. Ouvia as risadas e a empolgação de todas menos dela, duas se aproximaram começaram a dançar comigo, sem me tocar apenas acompanhavam os movimentos do meu corpo. Deixei que elas puxassem os últimos véus deixando apenas um que cobria meu sexo. Estavam se divertindo! As duas continuavam sentadas uma no colo da outra, me aproximei e deixei que uma delas puxasse o último véu... Puxou de forma sedutora, riam das amigas e se olhavam de forma apaixonada. A que estava no colo falou...
- “Acho que o presente era pra vocês mesmas...” - E todas riram... Menos aquela mulher, que me olhava me deixando perturbada, constrangida e mais exposta do que já estava.
Fiquei sem nenhum véu apenas com o do rosto quando a música acabou todas aplaudiram riram fizeram piadinhas e saíram do quarto. Fiquei juntando os véus eu ainda estava nua e percebi que nem todas tinham saído me virei e fiquei de frente pra ela que me olhou nos olhos, seu olhar era intenso, profundo, azul, lindo!
Aproximou-se um pouco mais senti meu corpo recuar - “O que está havendo comigo” - puxou o véu do meu rosto bem devagar me olhou e perguntou:
- “Por que você faz isso?” - Com voz firme.
Entendi por que ela me olhava daquele jeito seu olhar era de reprovação, de repulsa. Senti raiva.
- “Por que preciso!” - Respondi no mesmo tom eu me virei e continue juntando os véus.
Ela não se moveu percebi que olhava meu corpo queria sumir dali aquele olhar me queimava lembrei que deixei o casaco no corredor. E fui rápido em direção à porta ela continuava me olhando, abri e sem sair, pois estava nua, tentei alcançar, mas, não consegui. Ela veio em minha direção, passou por mim pegou o casaco e colocou em meus ombros, fechou e falou:
- “Não concordei com este presente, mas as meninas queriam se divertir. Não concordo em alimentar esse fetiche machista. E além do mais acho que existe outras formas de se ganhar a vida, sem precisar se vender..” - Falou e virou de costas.
Não consegui me controlar.
- “Quem você pensa que é? Você não me conhece! Não pode julgar as atitudes das outras pessoas baseadas nessa sua vidinha de mulher rica!”.
Falei e saí em direção ao corredor, peguei minha sandália passei rápido pelo imenso espaço até as escadas. Desci sentindo meus olhos queimarem queria chorar, mas não faria isso ali.
Atravessei o salão sem olhar para os lados na porta ouvi alguém me chamar, mas não parei entrei no meu carro e saí.
Chorei, chorei como há muito tempo não chorava nunca me senti tão humilhada aquele olhar. “Por que fiquei assim?”
O tempo todo me julgando, condenando, só faltou dar a sentença. Quem ela pensa que é?
Quando cheguei em casa lembrei que não havia recebido, mas não voltaria lá nunca mais! Tinha gravado no meu celular o número de Bianca, amanhã ligaria e cobraria.
Joguei-me na cama e chorei. Ela me fez lembrar de tudo que havia passado até ali, da morte de meu pai do desespero de minha mãe ao me dizer que teria que voltar pra casa, pois não tinha mais condições de me manter fora. Meu pai havia deixado muitas dívidas mais o meu aluguel, a universidade não havia mais dinheiro para pagar isso. Eu teria que desistir de um sonho.
Os estágios e os empregos de meio período não pagavam nem um terço do que precisava para me manter ali, depois de cursar 2 semestres teria que voltar, mas daí surgiu Marta, uma colega da universidade com uma proposta que a principio pensei em recusar. Acompanhar executivos em uma visita a cidade, algumas festas, talvez alguma coisa a mais. - “Melissa você é uma loira linda olhos verdes, tudo em cima, corpinho saradérrimo. Vai fazer o maior sucesso...” - fiquei em dúvida, mas quando ela me falou de quanto pagariam, aceitei. E, então, comecei, cadastrei meu celular em uma agência que selecionava os clientes e me passavam. Eu decidia se queria ou não, e assim, de vez em quando me transformava em Michelli.
Comecei a fazer anúncios particulares no jornal e começou a surgir outros tipos de programa casais, festas, e comecei a ganhar o suficiente para mim. Comprei um carro e ainda mandava dinheiro para minha mãe e tinha em mente que pararia assim que me formasse.
Estava no último semestre nunca havia me sentido culpada por isso, até hoje, até aquela mulher me olhar daquela forma, como se eu fosse o pior dos seres.
No outro dia meu celular tocou mais cedo ainda, mas já estava acordada. Dificilmente me preocupava em olhar o número, pois aquele celular era o de “Michelli”, portanto não interessava quem ligava, atendi.
-“Alô”
- “Oi! É Bianca estou te ligando por que não consegui pagar você ontem, saiu correndo! O que houve?”
- “Tinha outro compromisso e já estava atrasada” - Falei rapidamente.
- “Entendo me passa o número de sua conta que vamos depositar”.
Passei a ela o número da conta ela anotou.
- “Certo, hoje à tarde Renata fará isso, muito obrigada! Foi muito legal, tchau.” -
“Renata” ouvi esse nome e já sabia de quem se tratava, a raiva voltou, mas tentei esquecer fui pro banho.
Dois dias depois fui ao banco, precisava mandar dinheiro para minha mãe tirei um extrato e não localizei o depósito que Bianca havia se referido, mas outro do dobro do valor. Isso acontecia de vez em quando, alguns clientes pagavam a mais do que havia combinado, sempre aceitava! Mas esse me incomodou. Aquela riquinha idiota pensa que preciso de esmola dela, pois vai ver. Estava furiosa, magoada, me sentia humilhada e não entendia por que afinal podia aceitar o dinheiro a mais como sempre, mas desta vez não! Algo em mim queria mostrar a ela que não precisava do dinheiro dela, nada dela. - “Vou devolver a diferença”.
Parei o carro na frente do portão que desta vez estava fechado, apertei o interfone e ouvi a voz de um homem.
- “Quem? Michelli?”
- “Estive aqui há três dias atrás e recebi por um trabalho e acho que houve um engano” – Silêncio e mais alguns minutos e o portão se abre.
- “Pode entrar Srta. Michelli”
- “Olha, não preciso entrar. Você pode vir até aqui” - Falei para ele.
- “Por favor, entre” - Ele disse calmamente. Suspirei, entrei no carro e lá estava eu novamente naquela casa. Sentia minhas mãos molhadas.
- “Vou tirar de letra, já passei por situações piores”.
Entrei na casa e fui recebida pelo mesmo homem que me recebeu no dia da festa, mas agora estava vestido de forma informal.
- “Entre, me acompanhe” - Disse e virou as costas.
- “Não preciso falar com ninguém, você pode resolver. Só quero devolver a diferença, acho que houve um engano..” – Falava, mas ele não me olhava continuava caminhando, parou na frente de uma grande porta, me olhou e abriu fez sinal para que entrasse.
E, novamente, lá estava ela de pé próxima à janela olhando para o jardim. Eu senti um frio percorrer minhas costas ela se virou e caminhou em minha direção.
- “Que houve? Achou pouco?” - Perguntou sarcástica. Não respondi, abri minha bolsa e retirei um cheque já preenchido e o coloquei em cima da mesa.
- “Acho que houve um engano..” - Respondi e já estava me dirigindo a porta quando ela falou.
- “ Não aceita gorjetas, moça?”
Mordi o lábio para controlar a raiva, me virei ela estava bem próxima de mim.
- “Não preciso de esmolas muito menos sua” - Não desviei os olhos daquele olhar.
- “Achei que vivia disso, então é por diversão?” - Riu.
Senti meu rosto pegar fogo, precisava arrancar aquele sorriso dela e decidi fazer o que melhor faço, representei, mudei a expressão, sorri de forma sensual.
- “Ás vezes é! Quer se divertir? E me aproximei, percebi que ela corou.
- “Não pago por sexo” - Falou de forma ríspida.
- “E de graça, você quer”?” - Continuei da mesma forma queria tirar a ação dela, mas não consegui, ela se aproximou ficou a centímetros de meu rosto senti seu olhar me queimar.
- “Esse cheiro é seu? Ou de alguém com quem foi pra cama?”.
Falou baixinho aspirando o ar próximo a mim, empurrei-a e tentei virar para ir embora. Ela me segurou pela cintura e me fez virar para ela segurou meu corpo junto ao seu se aproximou pensei que ia me beijar, mas passou a centímetros de minha boca e foi em direção ao meu pescoço, senti sua respiração percorrer da orelha ao ombro como se me cheirasse, não consegui mover, estava entregue a ela.
- “Não, huumm! Esse cheiro é seu!” - Falou baixinho em meu ouvido.
Fazia muito tempo que não sentia o desejo tomar conta de meu corpo, ela voltou em direção ao meu rosto seu olhar ficou gelado e me soltou se virou e caminhou em direção a janela, falou friamente:
- “Você deveria aceitar, as meninas adoraram o show e acharam que merecia mais, não é esmola”.
Quando terminou de falar já estava novamente olhando pela janela de costas para mim. Peguei minha bolsa e sai, deixei o cheque no mesmo lugar.
- “Meu Deus! O que foi isso? Quem é essa mulher?”
Dirigia, mas não consegui me concentrar no trânsito. Saí do transe quando o celular tocou, encostei e atendi era da agência queriam acompanhantes para um congresso que estava acontecendo na cidade dei uma desculpa agradeci e disse que não poderia. Fui direto pra universidade, pois tinha aula a tarde toda.
Aquela mulher havia mudado algo em mim, mas eu ainda não sabia.
No decorrer dos dias não atendi nenhum cliente, estava sem disposição e a carga de trabalhos, provas e a monografia estavam me deixando exausta.
Todos os dias eu passava pelos murais na universidade procurando algum anúncio para contratação de recém formados estava terminando o curso de administração e pretendia mais tarde fazer mestrado.
O dinheiro que havia guardado daria para segurar alguns meses e caso precisasse sempre haveria alguma possibilidade de conseguir algum, mas comecei a querer evitar não havia mais feito anúncios pessoais, somente a agência me ligava de vez em quando.
A situação financeira de minha mãe estava mais tranqüila, disse que poderia começar a guardar para mim o dinheiro que mandava para ela na verdade ela não sabia qual era a fonte, disse-lhe que fazia trabalhos Freelancer em algumas empresas e ela acreditava.
Marta não entendia como podia recusar tantas ligações da agência.
- “Melissa você tem que se decidir, daqui a pouco eles não te chamam mais”
- “Acho que estou parando Marta, cansei” - falei pra ela que ficou surpresa, mas entendeu.
- “Um dia todas paramos..” Completou.
Numa sexta –feira o celular toca fazia algum tempo que o celular de “Michelli” não chamava. Atendi já pensando na desculpa que daria a agência.
- “Alô! É... quem fala?” - Reconheci a voz era Bianca.
- “Michelli..” - Respondi com pouco entusiasmo.
- “Não sei se lembra, mas há algum tempo atrás você fez um showzinho pra gente..” - Não deixei que ela terminasse.
- “Lembro, a festa das meninas que casaram..”- falei
- “Isso! É o seguinte, amanhã é aniversário de uma amiga e ela pediu que a contratasse para repetir, você pode?”.
- “Bianca, eu agradeço vocês terem lembrado, mas não faço mais isso, estou me formando final do ano e não tenho tempo pra mais nada, Ok?”.
- “Que pena, digo! Que bom! Pena pra nós, porque, foi muito bom, mas tudo bem, eu vou avisar, Renata vai entender.”.
Ouvi aquele nome e uma corrente quente percorreu meu corpo.
- “Vai avisar quem? Por quê?” - Não devia ter perguntado. Pensei.
- “O aniversário é dela, ela pediu que te ligasse até estranhei por que naquele dia ela ficou contrariada com nossa idéia, mas acho que acabou gostando, escuta. Desculpa insistir, mas ela paga o que você pedir” - Ela riu aquilo me enfureceu.
- “Você dá uma recado a ela, por favor, diga que por dinheiro algum no mundo eu dançaria pra ela ou faria qualquer outra coisa pra ela ok?”
- “Nossa! Calma, desculpa vou dizer que você não aceitou, está bem?”
- “ Ta, tudo bem não tem nada a ver com você, posso indicar uma amiga, quer?” - Falei e um sentimento estranho me assolou imaginei outra mulher dançando para ela.
- “Acho que não, mas vou ver qualquer coisa ligo de novo, tchau” – e desligou.
Do outro lado da linha Bianca desligou e foi até a sala onde Renata estava.
- “Nossa ela ta brava com você, o que fez?” - Bianca falou olhando para Renata.
- “O que ela disse?”
- “Que dinheiro nenhum faria ela dançar ou qualquer outra coisa pra você.” Concluiu
- “Bianca consiga o endereço dela”
- “Como, como vou conseguir isso?” Perguntou assustada.
- “ Vire-se, não sei como” Falou e saiu. Bianca ficou ali pensando no que tinha acontecido e se preocupou.
Conhecia Renata há muitos anos e desde que Ângela morreu, há 4 anos, nunca mais teve ninguém em sua vida, sabia de alguns casos passageiros, mas ninguém realmente sério. Tinha muitas mulheres aos seus pés e homens se quisesse, o que ela queria com esta menina? Tudo bem, linda, mas daí até querer ir a casa dela?
- “Como vou conseguir? Já sei no jornal a primeira vez peguei o nome dela foi no jornal. Alguns fazem cadastro de anunciantes, vou usar a influência de Renata, afinal sua empresa é uma das maiores anunciantes e ninguém vai querer negar um favor a Renata Costa Mendes da Fonseca.”
No decorrer da semana fui a algumas empresas que haviam anunciado vagas para recém formados nos murais da universidade preenchi fichas, fiz entrevistas, currículo e estava aguardando algumas respostas.
Uma semana depois da ligação de Bianca, na sexta-feira a noite estava em casa, na frente do PC, trabalhando em minha monografia, já passava das dez da noite. Ouvi a campainha
- “Como ninguém chamou no interfone? Deve ser algum vizinho” – Pensei, fui até a porta, nem olhei antes logo abri.
Quando vi Renata na porta fiquei paralisada: “Como...?” - Não conseguia raciocinar.
- “Não me convida para entrar?” Ela perguntou me olhando dos pés a cabeça Estava de regata justa e uma calça branca de algodão leve.
- “O que você quer aqui? Como descobriu meu endereço? Falei sem me mover, Renata deu um passo a frente e eu dei um passo para o lado, dando-lhe passagem, fechei a porta e ela ficou próxima a mim junto à porta.
- “Não foi difícil, basta conhecer as pessoas certas” Respondeu
- “E você deve conhecer todas, não é?” Perguntei irônica.
- “Não! Somente algumas”. Me respondeu sem tirar os olhos dos meus, tentei me mover, sair daquele contato ela bloqueou minha passagem e me pegou pela cintura como da outra vez.
- “Por que não quis dançar pra mim? Não gosta do meu dinheiro moça?”
- “Não gosto de você!” Respondi de forma ameaçadora, ela me apertou mais.
- “ Não é o que sinto” Falou já repetindo o gesto que havia feito em meu pescoço, me cheirava.
- “Me solta.” Sem muita convicção, não conseguia me mexer.
- “Por que não quis?” Repetiu novamente a pergunta sem tirar o rosto de meu pescoço.
- “ Sua amiga deve ter dado o recado, o que você quer de mim? Não quero fazer nada pra você e também não quero seu dinheiro” Tentei sair daquele abraço, mas ela me apertava contra seu corpo.
- “Quem disse que vou pagar? Já disse pra você que não pago por sexo.”.
Nesse momento me empurrou contra a parede e me olhou achei que ia me beijar, mas novamente passou seus lábios próximos aos meus e começou a os esfregar em meu pescoço
Senti sua perna abrir as minhas e senti sua coxa pressionando, esfregando. Sua língua no meu pescoço não conseguia mais resistir e não queria, ela continuava me mantendo contra a parede foi levantou minha blusa, tirou, senti sua boca em meus seios sugando, lambendo.
Sem rodeios ela estava fazendo o que queria comigo comecei a não controlar meus gemidos estava cheia de desejo, de vontade dela desceu as duas mãos pela lateral de meu corpo e baixou rapidamente minhas calças levantou minha perna e a prendeu em seu corpo com a outra mão me invadiu fazendo movimentos que me deixaram alucinada. A segurei e acompanhei o ritmo de sua mão, procurei sua boca, mas ela evitava mantinha em meu pescoço mordia minha orelha, começou a falar no meu ouvido, entendi algumas coisas outras não.
- “Já sentiu assim? Hein? Responde! Diz pra mim!”
Não conseguia falar, mas respondi num gozo alucinante, desfaleci em seus braços ela me segurou e descemos devagar até o chão ela deitou em cima de mim, tirou meu cabelo do rosto e me olhou lindamente! Aquele olhar me levava os pensamentos. Sentia minha mente vazia achei que ia me beijar chegava perto aspirava o ar e se afastava. Sentia o seu nariz próximo a minha pele e senti uma vontade irresistível dela. Movi-me e a coloquei em baixo de meu corpo ela estava totalmente vestida e eu nua em cima dela a olhei enquanto abria sua blusa percebi que queria tanto quanto eu. Sua respiração acelerada, seu olhar me olhando com desejo eu queria beijá-la, mas não fiz fui abrindo todos os obstáculos que me separavam daquele corpo que desejava desde o primeiro dia que tinha visto a deixei nua e da mesma forma que ela sem rodeios tomei seus seios. Fiz o que queria desci até o meio de suas pernas e senti vontade de engoli-la, tomá-la minha língua a explorou de todas as formas, pela primeira vez em muito tempo não estava preocupada em dar prazer, mas saciar a minha vontade minha vontade dela.
Percebi que estava chegando seu momento ela me segurou com força contra ela, desta vez foi eu quem falei.
- “ainda não! Espera, quero mais”
Queria mais, queria prolongar aquela sensação maravilhosa de tê-la, mas não esperou por muito tempo tive a sensação maravilhosa de receber todo seu prazer na minha boca.
Ficamos no chão por mais algum tempo, fiquei ao seu lado apoiando a cabeça com uma mão e a outra passeava no corpo dela com as pontas dos dedos fiz o contorno dos seios, fui descendo até a barriga “como é linda, macia, cheirosa!” Eu estava encantada com seu corpo, ela me olhava em silêncio e eu também. De repente ela levanta
- “Preciso ir embora”. Falou e começou a pegar as roupas.
Levantei com ela e calmamente comecei a me vestir ela também em silêncio antes de se dirigir a porta, me olhou novamente achei que ia me beijar, mas desviou o olhar, quebrei o silêncio.
- “Fez o que queria?” Perguntei suavemente.
Ela não respondeu, olhou novamente, não consegui decifrar aquele olhar. Abriu a porta e foi embora, fiquei olhando para a porta por algum tempo “por que não pedi que ficasse, teria feito amor com ela a noite inteira” Suspirei, tomei um banho e voltei para minha monografia, mas não conseguia me concentrar. Desisti.
“Renata! Renata! Renata sua pele, seu cheiro, seu corpo estou perdida!”. Tentei acionar todos os meus mecanismos de defesa.
Naquele fim de semana fui para casa de minha mãe, afinal fazia algum tempo que não ia visitá-la, pois meus finais de semana eram dedicados a diversos eventos que agora não queria mais. Voltei para casa no domingo à tarde.
Tive mais uma semana de atividades intensas na universidade passei a semana envolvida com provas e com trabalhos, procurei tirar Renata da minha mente, mas de vez em quando meu pensamento a encontrava.
Mais uma semana passou e não havia recebido resposta de nenhuma empresa. Estava ansiosa até que na quarta-feira, ao chegar da universidade no final da tarde, vi um envelope na caixa de correspondências o remetente era uma das empresas que eu havia feito entrevista, peguei o envelope e não abri subi correndo para meu apartamento, sentei no sofá e calmamente li o nome da Construtora, abri:
“Cara Srta. Melissa Andrade, nós informamos que seu currículo atende os critérios estabelecidos por nossa empresa, solicitamos que compareça nesta segunda feira dia “tal” no depto. de RH da empresa para tratarmos de sua admissão.” Grato... Etc.. Etc.
Terminei de ler e chorei, beijei o envelope e o apertei contra o peito como se quisesse colocá-lo lá dentro, queria dividir com alguém esta alegria que sentia, mas percebi que não havia pra quem ligar, pois durante muito tempo havia me afastado das pessoas. Foi à forma que encontrei de manter intacta minha privacidade e me proteger de julgamentos que certamente sofreria.
Pensei em ligar para Marta, mas achei melhor não. Liguei para minha mãe que ficou feliz, embora não entendesse muito bem qual a diferença de antes e de agora.
Estava ansiosa queria que segunda - feira chegasse logo, precisava providenciar algumas coisas, uma delas era comprar roupas novas. Apesar de meu guarda roupa estar abarrotado, pois sempre investi muito na aparência, pois até aquele momento vivia disso, sabia que precisava de roupas mais sóbrias. Resolvi que no outro dia faria isso.
Estava na cafeteria, sentada com várias sacolas na cadeira ao lado, com um livro de administração no colo, lendo-o, pois tinha a última prova na sexta à tarde, estava concentrada na leitura e tomando um café, quando ouço alguém chamar minha atenção.
- “Olá moça”
Levanto os olhos e vejo Bianca.
- “Oi”. Respondi me sentindo um pouco perturbada, pois ela fazia parte do mundo de Renata. Bianca puxou a cadeira e sentou.
- “Posso? Atrapalho? Estou vendo que está concentrada” Falou sorrindo.
- “Não... Claro que não, só estou revisando algumas coisas”.
- “É final de curso é sempre assim, passei por isso também, está se formando em que?”.
- “Administração” Respondi levando a xícara aos lábios.
- “ Que ótimo, eu também me formei a alguns anos” respondeu empolgada.
Sorri pra ela.
- “ Não está sendo muito fácil provas, monografia acabei atrasando algumas disciplinas, daí acumulou”.
- “ É sei como é e depois que se formar vai fazer o que?.”
- “ Na verdade ainda não sei, fiz algumas entrevistas e recebi retorno de uma construtora, me chamaram.” Falei demonstrando alegria.
- “ Que ótimo! Então ...resolveu parar com... ” – Silêncio - “Desculpa! Acho que não tenho nada que ver com isso” - Percebi que ficou constrangida com o que ia falar.
- “ Tudo bem, não se preocupe, mas já parei sim essa fase acabou” - Me senti a vontade para dizer isso a ela.
- “ E quando começa na empresa?” Perguntou
- “Não sei ainda tenho que comparecer na segunda feira e você trabalha onde?” Perguntei.
- “Bem, não trabalho em uma empresa específica, mas pra uma pessoa. Presto assessoria a ela que possui várias empresas. Qual é a construtora que você vai trabalhar?”
Já sabia a que pessoa ela se referia disse a ela o nome da construtora e encerrei a conversa.
- “ Bom, foi ótimo conversar com você, mas preciso ir” - Falei juntando minhas sacolas.
- “Eu também, mas diz uma coisa? Seu nome?” Perguntou simpática.
- “ Melissa” Respondi da mesma forma.
- “Certo Melissa foi muito bom conversar com você e boa sorte!”.
Surpreendeu-me vindo em minha direção me deu um abraço e dois beijinhos no rosto e me afastei em direção ao estacionamento
Todo o trabalho mental que havia feito nos últimos dias para não pensar em Renata acabava de cair por terra.
Domingo à noite, Marta me convidou para jantar, depois que contei a ela a novidade quis comemorar e queria ir a um bom restaurante, somente nós duas.
Nunca havíamos feito isso sempre que saíamos juntas estávamos acompanhadas de clientes.
Fomos a um dos melhores conhecíamos bem as melhores opções da cidade.
Escolhemos um local, sentamos, estávamos animadas com a conversa e com o vinho, ela me contava algumas coisas engraçadas que tinha acontecido a ela durante a semana e minha atenção se voltou para a entrada, por alguns instantes, alguém me chamou atenção. Era ela, linda! Estava com outra mulher muito bem vestida e bonita, foram encaminhadas para uma mesa no fundo e acomodadas, não consegui mais tirar os olhos dela, Marta falava, falava, eu não ouvia mais nada meu coração acelerou e acompanhei seus movimentos as mãos segurando a carta de vinhos, seus olhos que se concentravam na leitura e subiam em direção a mulher, seus lábios movendo-se delicadamente percebi que repousou uma das mãos na mesa e vi a outra colocar sua mão em cima se olhavam e ficaram assim por algum tempo.
- “Melissa!!!!” Ouvi
- “Ah!” Voltei... E vi Marta me olhando.
- “Que coisa!!! Estou falando e você não me ouve...” Reclamou
- “Desculpa Marta, É que, é que vi uma pessoa e deixa pra lá”. Falei sem articular as idéias.
- “Quem?” Perguntou e se virou em direção a mesa de Renata.
- “Ninguém alguém que achei que conhecia, mas não era..” Tentei disfarçar.
- “Hum... ta certo... que coisa!!”
Mais alguns momentos daquela tortura não conseguia me concentrar em Marta e meus olhos eram atraídos para aquele local, até que nossos olhares se encontraram ela se moveu na cadeira, vi que olhou para Marta para mim e retornou a atenção para sua acompanhante.
- “Vamos Marta?” Queria sair correndo dali
- “Vamos amanhã a srta. tem que acordar cedo não é?” Falou e apertou minha mão entre as suas, percebi o olhar de Renata.
Pedimos a conta Marta insistiu que havia convidado, pagou e saímos Caminhei em direção a porta, mas não sentia minhas pernas percebi que seu olhar acompanhou todo deslocamento que fiz, da mesa até a saída.
Na segunda-feira apresentei-me as 08h00min na empresa fui conduzida a sala de um dos diretores da empresa, um senhor que deveria ter em torno de 50 anos Sr. Antonio Cardoso muito atencioso que me recebeu muito bem me apresentou a empresa os outros diretores e disse que a construtora possuía diversos acionistas e um majoritário, falou das minhas funções, do salário que a princípio seria menor em função de não ter concluído o curso. Combinamos que até a formatura trabalharia por meio período. Conversamos por mais de uma hora e depois me encaminhou para outra pessoa, Maria Eduarda uma moça simpática que me levou em alguns departamentos e depois para a sala dela.
- “Então Melissa, gostou?” perguntou sorrindo
- “Gostei muito espero corresponder.” Respondi
- “Tenho certeza que sim gosto muito de trabalhar aqui entrei como você, estava terminando meu curso e tinha a mesma idade que você tem hoje, 24 anos estou aqui há 5 anos e pretendo ficar por muito tempo..a empresa é ótima você vai ver, vamos trabalhar juntas.” Sempre sorrindo.
Entregou-me a relação de documentos que deveria providenciar e me deu 2 dias para retornar e começar no trabalho. Despedimos-nos e saí muito feliz. Naquele dia mesmo providenciei tudo, fui à universidade somente no final da tarde para conversar com meu orientador e entregar a versão final de minha monografia.
Voltei pra casa tomei um banho, tinha algumas coisas para arrumar, prendi meu cabelo, levantando-o atrás e o segurei com um lápis, telefonei para minha mãe e estava organizando os documentos e as cópias que havia feito que estavam todos espalhados em cima da mesa na sala.
“Tenho que me organizar melhor” - quando a campainha toca senti uma sensação de déjà vu, fui lentamente até a porta e abri. “Era ela, estava de jeans e camiseta, sempre a vi vestida de forma clássica, nunca imaginei que ela usasse algo assim”. Maravilhosa! Ficamos por alguns instantes nos olhando.
Diferente da outra vez sorri. Abri mais a porta e dei passagem a ela.
- “Quer entrar?”
Não respondeu, entrou passou por mim...” Que perfume! Que delicia que você é!..”
Percebi que olhou ao redor largou sua bolsa na cadeira e ficou de frente para mim me aproximei, queria beijá-la, mas me controlei.
- “Estou atrapalhando em algo? Percebo que está trabalhando?” A última palavra saiu de forma provocadora: com ironia.
Aceitei a provocação e rebati.
- “Nunca trago trabalho pra casa” Percebi que ela entendeu o que eu quis dizer com a palavra “trabalho”.
Passei por ela e me dirigi ao sofá, mas fiquei de pé.
- “Quer sentar” Perguntei, ela se aproximou lentamente meu corpo respondeu rápido a sua aproximação.
- “Não, não vim conversar.” Falou suavemente, me pegou pela cintura com uma das mãos e com a outra tirou o lápis que prendia meu cabelo, senti sua respiração no meu pescoço, seus lábiosm, sua língua. Caímos juntas no sofá seu corpo em cima do meu, suas mãos levantando minha camiseta procurando meus seios, arranquei a sua senti sua boca explorando meu corpo, me proporcionando sensações e emoções nunca antes reveladas. Tomou-me de todas as formas senti sua língua invadir-me e fui sua. Fiz o mesmo, mas desta vez quis dar a ela todas as sensações que sabia dar o prazer que senti ao vê-la tremer em minha boca em meus braços foi mais intenso que qualquer outra emoção que já senti na vida, descobri que tê-la em meus braços era o maior prazer que eu já tinha experimentado.
Aproximei-me de sua boca encostei meus lábios, deixei que ela viesse senti a maciez fechou os olhos, por um momento tive a impressão de que me beijaria, então virou o rosto e me afastou, sentou-se. Eu não acreditei.
- “Por quê? Por que não me beija?” A voz quase não saiu.
Ela me olhou.
- “Por que a beijaria?” Respondeu e levantou colocando suas roupas ela não tinha culpa do que pensava a meu respeito, fiquei arrasada. Levantei lentamente e comecei a me vestir sem olhar para ela. Por um momento tive a ilusão de que ela conseguia ver Melissa e não a outra. Eu percebi que foi ilusão, pois nem meu nome ela sabia.
Coloquei minha camiseta apertei meus braços contra o corpo e me senti completamente desprotegida naquele momento, eu estava sendo tratada como sempre fui, mas pela primeira vez estava doendo.
Ela terminou de se vestir virou pra mim disfarcei as emoções que sentia não queria que ela soubesse como estava me sentindo. Pegou sua bolsa abriu e senti que não agüentaria os próximos minutos ela pegou sua carteira tirou um cartão, colocou em cima da mesa e falou.
- “Se precisar de alguma coisa, me ligue..” E caminhou em direção a porta, saiu e fechou.
Deixei as lágrimas caírem num alívio por ela não ter feito o que pensei que faria e mais ainda pela rejeição.
O meu primeiro dia na empresa foi muito tranqüilo Maria Eduarda me apresentou as pessoas que trabalhavam no mesmo andar.
- “Com o tempo você vai conhecendo todos.”
Falava e caminhava passando por setores e divisórias que separavam uma mesa de outra. Todos sorriam e alguns me lançavam olhares que me alertava um sentido bem aguçado. “Mantenha-se longe” pensei. Continuamos andando até que ela parou em uma mesa e falou:
- “Esta é sua mesa poderá se organizar como achar melhor mais tarde vamos conversar por que quero passar a você alguns documentos que precisam ser providenciados e o nome de alguns clientes que merecem nossa atenção especial”.
Terminou e foi em direção a sua sala sentei liguei o computador e comecei a ler alguns memorandos que me dariam uma idéia do funcionamento interno da empresa e as últimas determinações da diretoria.
Assim a manhã passou rápido saí e fui para a universidade e o restante da semana foi igual conversava muito com Maria Eduarda que se mostrava extremamente atenciosa e sempre disposta a tirar minhas dúvidas.
Na sexta resolvi trabalhar, também, à tarde, pois não tinha aula e aproveitaria para adiantar alguns relatórios no final da tarde vi Maria Eduarda se aproximar chegou bem perto e falou:
- “Que acha de um cineminha?” Perguntou
- “Ótima idéia, vamos sim” Respondi sorrindo para ela. “Precisava de companhia quem sabe esquecia Renata pelo menos por algumas horas”.
Saímos da Empresa e marcamos de nos encontrar no shopping pegaríamos a sessão das oito. Cheguei em casa tomei um banho, coloquei uma calça jeans, uma blusa azul, sandália baixa e saí. Encontrei Maria Eduarda me esperando no local combinado.
- “Vamos? Acho que já tem fila”.
Ela falou já caminhando em direção ao cinema, paramos na frente das bilheterias e nos surpreendemos uma com a outra, pois as duas não queriam admitir, a princípio, mas queríamos ver o mesmo filme, um desenho. Rimos da situação, entramos, escolhemos um lugar e nos divertimos muito.
Saímos do cinema e ainda riamos principalmente por que ao olharmos para os lados percebemos que éramos as únicas adultas que não estavam acompanhando crianças afinal era um filme infantil. Decidimos jantar ali mesmo. Fomos para a praça de alimentação.
- “ Que ótimo! Encontrei alguém como eu...” Ela falou sorrindo encantadoramente.
- “ Adoro desenhos gosto de outros também, mas nunca perco os desenhos” Falei
- “ Nem eu!” – silêncio – “Melissa me responde uma coisa? É seu primeiro emprego? Quero dizer formal sei que é, por que encaminhei seus documentos, mas fazia algo antes?”
Gelei com a pergunta não sabia o que responder, não poderia dizer a ela o que fazia.
- “Não, na verdade sim, ou melhor, fazia alguns trabalhos sem vínculo”.
Respondi completamente nervosa.
- “Sei a gente tem que se virar, mas não é fácil”.
Disse isso olhando intensamente em meus olhos, desviei o olhar.
Conversamos mais um pouco ela perguntou de minha família, contei a ela um pouco de minha história, omitindo o que devia. Ela não tirava os olhos dos meus, às vezes me sentia constrangida e sem jeito. Ela me contou um pouco da sua vida, contou que também teve muitas dificuldades para chegar onde estava hoje e assim ficamos por duas horas conversando, não vimos o tempo passar.
- “Você viu à hora?” perguntei.
- “Vi, mas estava tão agradável, ficaria por muito mais tempo conversando com você” Falou deixando claro com o tom da voz o que queria dizer.
Achei melhor disfarçar fazer de conta que não entendi.
Seria melhor assim, convidei-a para ir embora nós nos despedimos e me deu um beijo no rosto demorando um pouquinho para afastar os lábios me virei e fui embora.
No decorrer das duas semanas que seguiram recusei dois convites de Maria Eduarda e um de Felipe, colega que trabalha em um andar acima do meu, estava me adaptando facilmente na rotina da empresa e estava gostando das atividades que me cabiam. Os dias passavam rapidamente, mas a noite era longa pensava em Renata. Dormia lembrando de seu corpo de sua pele sentia uma vontade incontrolável dela. Pegava o cartão que ela havia deixado tentava encontrar nele o cheiro dela. Lembrava de suas palavras “se precisar de alguma coisa me liga”. - “Preciso de você”-, mas jamais a procuraria, eu sabia o que ela pensava a meu respeito.
- “Renata! - você não está me ouvindo?” Bianca bateu na mesa.
- “Claro que estou, continua” Falou Renata olhando para os papéis em cima da mesa.
- “Então me diz? O que foi que eu disse na última meia hora, fala!!” Bianca esbravejou
Renata levantou e foi até a janela, olhou pra fora.
- “Ela não sai da minha cabeça, não sei mais o que fazer” Disse para si mesma, num tom que deixou Bianca preocupada.
- “De quem você está falando? Julia?” Perguntou cheia de dúvidas.
Renata virou para ela, sorriu, balançou a cabeça negativamente e sentou-se novamente onde estava.
- “Esquece pensei alto. Onde paramos?” Falou pegando alguns papéis.
- “Renata você não me engana, aliás, nunca me enganou. Fique sabendo disso e quando quiser conversar sabe que pode contar comigo”.
Falou e começou a separar os papéis que Renata havia misturado.
Estávamos no mês de dezembro minhas aulas haviam acabado, havia apresentado minha monografia, decidi não participar da formatura apesar da insistência de minha mãe e de Maria Eduarda.
- “Acho que é um momento muito importante” ela dizia, mas não me convencia já havia decidido.
- “Mas vamos comemorar, disso você não escapa..” Complementava.
Meu horário na empresa passou a ser integral e mesmo sem apresentar o diploma meu salário aumentou
- “ O diploma é só um papel, o seu trabalho a qualifica” Disse o Sr. Antonio em uma de nossas conversas.
Em uma tarde estava saindo da empresa, havia deixado meu carro para fazer uma revisão e só o pegaria no outro dia, caminhava em direção a portaria do prédio e Felipe me chamou..
- “ Não deixou seu carro no estacionamento?” Perguntou
- “ Hoje estou a pé, deixei na revisão..” Falei
- “ Vem, te deixo em casa”. Aceitei.
Ele estacionou em frente ao prédio, agradeci e desci. Sem olhar para os lados, estava cansada. Não vi um carro preto estacionado do outro lado da rua, com Renata que observava.
Entrei em casa, atirei minha bolsa na mesa, tirei a roupa e entrei no banho. Fiquei alguns minutos embaixo do chuveiro sem me mexer apenas sentindo a água cair.
Saí do banho coloquei uma camisola liguei a TV e ouvi o interfone, atendi.
- “Oi Melissa, é a Marta, estou aqui em baixo um tempão..”
- “Estava no banho. Entra” Abri.
Ela subiu esperei com a porta aberta, ela chegou me deu um abraço e entrou.
- “Como está?” Vim te convidar pra sair.
- “Ah! Marta! Estou cansada vou ficar em casa não quer jantar comigo? Vou pedir uma pizza.”
- “Hoje não tenho uma formatura e queria que fosse junto, faz um esforcinho! Vai”.
- “Desculpa, mas não dá outro dia a gente combina ta?”.
Conversamos mais um pouco nos despedimos e ela saiu.
Menos de 5 minutos depois a campainha tinha certeza que era Marta novamente, mas me enganei, abri e era ela: “Renata!!”.
- “Movimentado hoje...” Falou me olhando seriamente.
A surpresa me deixou sem ação, havia esperado todos os dias por isso e mesmo assim não estava preparada para vê-la novamente.
- “Posso entrar?” Perguntou
Percebi que estava na frente e dei um passo para o lado.
- “Claro! Entra.” Passou e novamente aquele perfume encheu o ambiente.
- “Estava lá embaixo esperando e vi você chegar com um cliente? Talvez? Depois sua amiga subiu ia embora, mas,...” interrompi.
- “Não é meu cliente ele é..” ela interrompeu
- “Olha você não precisa me dizer com quem sai e muito menos” Interrompi de novo
- “Quero dizer, escuta, por favor, ele trabalha comigo na empresa e me deu uma carona fiquei sem carro e... – silêncio - eu não faço mais, não faço mais programas, só queria que soubesse.” Ela se aproximou.
- “Por quê? Por que queria que eu soubesse, acha que isso muda o que?”
- “ Desculpa, não quero mudar nada só falei por que me conheceu de outra forma e esquece, não sei por que falei” – seu olhar me deixava inquieta. Comecei a me irritar percebi que pra ela tanto fazia.
– “O que veio fazer aqui? Transar, pois eu não quero, pode ir embora.” Enquanto eu falava, ela caminhava em minha direção comecei a me mover pra trás, aquela proximidade mexia com todos os meus sentidos.
- “Sua namorada deu o que você queria hoje, então?” Falou bem próximo ao meu rosto.
- “Quem? Não tenho namorada, do que está falando?” Lembrei que ela viu Marta no restaurante comigo.
Já estava com o rosto em meu pescoço, m